VET RESPONDE


Nem só de peixe vive o gato

Uma nutrição adequada é o segredo para seu gato viver mais e melhor. Para que isso ocorra os gatos devem ingerir produtos adaptados para a sua idade, condição física e especificidade.

A nutrição veterinária tem por objetivo oferecer nutrientes essenciais em doses benéficas para o animal. Todo nutriente tem uma função específica e o excesso ou a carência de um ou outro nutriente prejudica a saúde do seu animal de estimação.

O felino é um animal carnívoro e naturalmente beliscador. Ele pode comer seu alimento diário de uma só vez, entretanto, prefere ingeri-lo aos poucos. Assim a comida deve estar a disposição para que ele faça pequenas refeições ao longo do dia.

Vale lembrar que as necessidades nutricionais do gato são diferentes das do cão. É desaconselhável oferecer a um gato alimento para cães. O organismo do gato não possui certas enzimas, o que o torna incapaz de sintetizar determinados nutrientes.

Algumas práticas alimentares devem ser evitadas, como dieta a base de carne crua e vísceras (pulmão e fígado), pois esses alimentos não contém todos os ingredientes de que o gato necessita.

Qualquer mudança na alimentação deve ser feita de forma gradativa. Alterações bruscas de alimentação podem causar distúrbio entérico, como diarréia.

Obesidade felina

Não dê comida em excesso. Alimentar bem seu gato não é a mesma coisa que alimentar demais, mas, sim, alimentar com produtos de qualidade e, de preferência, indicados por um médico veterinário.

A ligação entre o excesso de peso e problemas de saúde não é uma constatação somente dos humanos. A obesidade atinge os gatos que vivem dentro de casa, próximos ao dono, e passam boa parte do tempo comendo e dormindo. O problema é o distúrbio nutricional mais comum entre os gatos e é caracterizado por um peso corporal vinte por cento acima daquele que seria o adequado.

A causa mais comum da obesidade é a ingestão excessiva de calorias. No entanto há fatores de risco que podem predispor o seu animal à obesidade: castração (não é regra), predisposição de certas raças e restrição de exercícios.

Muitas doenças estão associadas à obesidade ou são exacerbadas por ela, como problemas ortopédicos (artrites e artroses), hérnias discais, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias, complicações em cirurgias e anestesias, diminuição da fertilidade e incontinência urinária.

A obesidade quadruplica o risco de desenvolvimento de diabetes mellitus e a probabilidade de surgirem problemas articulares aumentam três vezes. Problemas hepáticos e doenças renais também são freqüentes em gatos obesos.

O trato urinário do gato é bastante sensível a formação de cálculos urinários e outras doenças que freqüentemente levam a obstrução da uretra, caracterizando a síndrome do trato urinário inferior do felino (FLUTD).

Alimentação balanceada desde filhote

A composição de uma dieta balanceada é importante para evitar o desenvolvimento de diversos tipos de cálculos. As rações comerciais de qualidade asseguram um trato urinário saudável, não só pela formulação da ração, mas também pelo pH da urina resultante da ingestão de tais rações. O pH urinário influencia no desenvolvimento da FLUTD.

Durante a fase de gestação e lactação, a gata deve ser alimentada com ração para filhotes, que não contém acidificante, fornece mais energia e os nutrientes de que seu organismo necessita.

Os acidificantes não devem ser utilizados durante a gestação, lactação e desenvolvimento dos filhotes, pois interferem no desenvolvimento ósseo dos bebês. Os ossos não se desenvolvem em meio ácido e a urina dos gatinhos já tem uma acidez natural.

Em caso de ninhadas numerosas ou gatinhos órfãos, os bebês devem receber alimentos substitutos ao leite materno do nascimento ao desmame. O substituto do leite da gata, um leite em pó especial, só não supre os anticorpos que são passados aos filhotes por meio do colostro da mãe.

Os filhotes devem receber alimento seco e especial para filhote entre 2 e 12 meses de idade.

Nesta fase o gatinho precisa de uma ração de tamanho diminuído – para facilitar a ingestão –, que seja rico em proteína e pobre em amido – para uma ótima digestão –, além de todos os nutrientes indispensáveis para o crescimento saudável, como vitaminas, cálcio e sais minerais, entre outros.

A partir dos 12 meses o gato já é considerado adulto, o que aumenta ainda mais a necessidade de uma dieta equilibrada. Nessa idade a tendência é a formação de cálculos nas vias urinárias, mais comum de acontecer em gatos machos do que em fêmeas devido à anatomia da uretra, mais longa e mais fina. Os alimentos para gatos adultos possuem acidificante e fórmulas diferenciadas, com elementos especiais relacionados à especificidade e à condição física do animal. Quanto mais sedentário o gato, menor a necessidade calórica e menor a necessidade de proteína, lembrando que a energia metabólica do gato vem principalmente da proteína.

O gato e a terceira idade

Os gatos entram no último terço de sua vida quando atingem 10 anos. Para que esta fase transcorra da melhor forma possível é necessário fornecer-lhes uma alimentação que respeite as modificações fisiológicas próprias da idade.

Devido a problemas dentários, os gatinhos idosos têm menos olfato, paladar e apetite. Eles também apresentam uma performance digestiva baixa, dificultando a manutenção de peso. Por isso é necessário fornecer a eles alimentos altamente energéticos e muito digestíveis.

A maior ameaça é a formação de cristais, problemas hepáticos, cardiovasculares e ortopédicos. Para minimizar esses problemas, o gato deve receber alimento com controle de pH e concentrados em vitaminas C e E, que ajudam a combater o envelhecimento celular, possuem menos fósforo para proteger a função renal, e ácidos graxos essenciais (omega 3 e 6), para o bom estado de pele e pelagem.

Várias outras patologias ocorrem em conseqüência de uma nutrição desequilibrada e trataremos de algumas delas nessa coluna. Consultar sempre um médico veterinário de confiança é o melhor meio de garantir a saúde do seu gatinho. Hoje existem muitos profissionais especializados em medicina felina. Mais informações técnicas sobre gatos e sua nutrição estão sendo compiladas por meio de pesquisa, o que acarreta no desenvolvimento de produtos cada vez melhores para a perfeita saúde dos nossos amigos bichanos.

Angélica Lang Klaussner, médica veterinária do Adote um Gatinho, falará sobre a saúde dos gatinhos nesta coluna. A cada mês um novo tema.

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